De 23 de junho a 23 de julho - 9h às 19h
Esta mostra da produção plástica dos clientes da Casa das Palmeiras, do Museu de Imagens do Inconsciente e do Museu Bispo do Rosário não tem como objetivo revelar atributos artísticos das pessoas com transtornos mentais.
Visa, simplesmente, expor alguns fatos hauridos em mais de 50 anos de prática clínica: primeiro, que a capacidade criativa dos chamados doentes mentais conserva-se - mesmo nos quadros mais severos - intacta, ou melhor, a irrupção psicótica, ao tomar conta do ego, parece desvelar as fontes primeiras do processo criador, promanadas do inconsciente coletivo; segundo, que as imagens que emergem assemelham-se a motivos mitológicos estreitamente ligados às vivências pessoais dos seus autores e que têm valor terapêutico em si mesmas; terceiro, que num ambiente acolhedor e com suporte afetivo ("afeto catalisador"), o cliente, de forma espontânea, tem capacidade de expressar, pelas atividades plásticas, seu mundo interno, e de reconstruir a realidade; e, por fim, que, independente dos cânones vigentes aceitos sobre o que é arte, a produção desses seres, tão discriminados, possui uma harmonia, uma força, uma capacidade de comoção que surpreende todos que as vêem.
Ocioso seria estabelecer juízos de valor acerca dessas produções. É arte? É produto patológico? Ou seria arte psicopatológica ou arte bruta, conceitos estes contemporizadores para dar conta do inefável mistério que cerca toda criação fora dos círculos artísticos acadêmicos?
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