José Gianotti, renomado cientista social brasileiro iniciou seu artigo “Moralidade Pública e Moralidade Privada”, publicado no livro Ética - Vários autores, organização de Adauto Novaes, pela editora Companhia das Letras, com a seguinte indagação: “Por que a ética voltou a ser um dos temas mais trabalhados do pensamento filosófico contemporâneo”? Certamente, a formulação dessa pergunta ocorreu com base na constatação de evidências ocorridas nas duas esferas, pública e privada.

No início desse século, a atuação empresarial privada evidenciou a necessidade de aperfeiçoamento da gestão da ética em suas organizações. Algumas grandes empresas internacionais, entre elas líderes em seus respectivos setores de atuação, se viram envolvidas em rumorosos casos de escândalos corporativos-financeiros Nesse ambiente conturbado, as autoridades americanas aprovaram a legislação Sarbanes-Oxley, conhecida como SOX, em 30.06.1992, reconhecendo a necessidade de atuar com rigor na prevenção, na gestão e na punição dos responsáveis por desvios éticos, fraudes  e corrupção. A crise de 2008 voltou a expor a impressão de que a ética está fora de controle. O fato é que as organizações, como os seres humanos, são imperfeitas.

Na esfera pública, “a insatisfação social com a conduta ética dos governantes e dos agentes públicos não é fenômeno exclusivamente brasileiro e circunstancial. Os países democráticos e desenvolvidos também enfrentam ceticismo da opinião pública a respeito do comportamento dos administradores públicos e da classe política” , como afirmou o Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Pedro Parente, na Exposição de Motivos nº 37, do Código de Conduta da Alta Administração Federal, de 18.08.2000.

No poder executivo brasileiro, o Código de Ética foi incorporado à gestão pública pelo Decreto nº 1.171, de 22 de junho de 1994. Ao longo desse tempo, o trabalho foi sendo aperfeiçoado e regulamentado, culminando com o Decreto no 6.029, de 1º de fevereiro de 2007.

O BNDES tem convicção de ter conquistado reconhecimento e respeito junto à sociedade brasileira por valorizar o comportamento ético no exercício das atividades de seus empregados.

O compromisso com a gestão da ética no BNDES foi formalizado com a Resolução 1.007 da Diretoria, de 26 de junho de 2002, que criou o Código de Ética Profissional dos Empregados do Sistema BNDES - 2002.  Esse regulamento orientou o trabalho desenvolvido na gestão da ética no BNDES através da promoção de ações de natureza educativa, da atualização e do aperfeiçoamento de suas normas e da apuração e aplicação das penas cabíveis nos casos de infrações éticas.

A gestão da ética no BNDES teve sua referência atualizada com o novo Código de Ética do Sistema BNDES, aprovado pela Diretoria em 28 de abril de 2009. É sintomático que as palavras de apresentação desse código pelo Presidente do BNDES se iniciam com a expressão “Só há desenvolvimento com ética”.

Veja: