11/06/2007

 Inovação é a palavra-chave na definição de capacidade competitiva e desenvolvimento de países, organizações e setores. Isso não é novidade, a Revolução Industrial inglesa mostrou há muito a capacidade transformadora da inovação. Mas hoje vivemos a chamada Era do Conhecimento, e a inovação assume um significado ainda mais complexo. A inovação constrói os chamados ativos intangíveis (marca, design, patentes, P&D, processos de TI, etc.) que, cada vez mais, significam a geração de valor nas corporações e formam boa parte da riqueza das nações.

Mas o quê o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social tem a ver com isso? Onde está o "I" de inovação no BNDES? A resposta é que o BNDES tem um importante papel na disseminação da cultura de inovação nas empresas brasileiras e o "I", mesmo sem estar explícito, pode ser encontrado em cada uma das letras que compõem o BNDES. Como em qualquer outro investimento, o financiamento é parte essencial no processo de inovação. Um banco tem a capacidade de disponibilizar recursos e gerenciar riscos por meio de uma carteira diversificada. O financiamento à inovação geralmente envolve maior risco e menos garantias, devido à sua particularidade menos tangível. Assim, o mecanismo financeiro mais recomendável neste contexto é a participação acionária.

O BNDES possui um longo histórico de atuação no mercado de capitais e hoje tem participação acionária em 180 empresas, além de já ter formado 26 fundos de capital de risco. Estes fundos já beneficiaram mais de 161 empresas, alavancando recursos da ordem de R$ 3,5 bilhões. Em 2006, dez novos fundos foram lançados. O objetivo é que mais de 80 pequenas e médias empresas recebam reforço financeiro, estejam mais bem preparadas para um crescimento sustentado e façam uma bem-sucedida abertura de capital.

Por ocupar um papel central no posicionamento competitivo de um país, o incentivo à inovação deve ser um projeto nacional. Não é por outra razão que a Política Industrial Tecnológica registra a essencialidade da inovação e do desenvolvimento tecnológico para a expansão da competitividade.

Para ser sustentável, o desenvolvimento econômico precisa, além de proporcionar o crescimento da economia e da renda da população, promover o ambiente institucional necessário para acompanhar os movimentos de um mundo globalizado. Desenvolver a capacidade inovadora é ganhar competitividade e estar sempre à frente no processo de desenvolvimento. Segundo o professor Barros de Castro, diretor da Área de Planejamento do BNDES, a inovação é um fenômeno transversal, que deve perpassar a economia em sua totalidade. E o BNDES, por abrangência e escala, tem plenas condições de ser um forte indutor desse processo.

Por fim, o desenvolvimento social. A inovação não está restrita a grandes empresas ou grupos com inserção internacional. É preciso deselitizar o processo de inovação. Há um grande espaço a ser ocupado por empresas nascentes de base tecnológica e por centros de pesquisas acadêmicos, evitando a evasão de cérebros.

Para, definitivamente, somar o I ao S de Social do BNDES é que o banco acaba de lançar o Criatec. Serão destinados R$ 80 milhões para construir um fundo de capital semente que se estima vai atingir 60 empresas nascentes e propiciar a criação de aproximadamente 3.000 novos postos de trabalho especializados. Esse fundo nacional contará com seis a oito gestores regionais, que atuarão próximos às empresas. E ainda contemplará o objetivo de desenvolvimento regional, pois na seleção dos gestores serão consideradas as estratégias de formação de arranjos produtivos e pólos regionais.
Do ponto de vista prático, o Criatec vem complementar uma série de ações do BNDES na área da inovação, tais como a linha de inovação para P,D&I – com taxa de juros fixa em 6% a.a. – e Produção; os já mencionados fundos de investimento em empresas emergentes; os fundos tecnológicos (Funtec e Funtel); e os programas orientados, como Profarma e Prosoft.

Por tudo isso, as ações implementadas ao longo dos últimos meses – que tiveram início com a revisão das prioridades do BNDES, colocando a inovação em seu topo, e culminam com o lançamento do Criatec – demonstram o forte compromisso do BNDES com o "I" de Inovação.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 6)(Eduardo Rath Fingerl - Diretor de Mercado de Capitais do BNDES – (Colaborou Helena Tenório V. de Almeida, assessora da área))