10/11/2014

• Cerca de R$ 123,3 milhões serão investidos na substituição do formato analógico com projetores de película de 35 mm pelo padrão digital
• Ao todo, 770 salas de cinema nacionais serão digitalizadas, incluindo pequenos exibidores


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) vão financiar a iniciativa mais ampla já realizada para a digitalização do parque exibidor cinematográfico brasileiro. O Banco aprovou financiamento de R$ 123,3 milhões à Quanta DGT, do Grupo Telem, para que 770 salas de cinema de empresas nacionais possam migrar para o novo padrão tecnológico digital.

Os recursos são oriundos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela ANCINE. Os créditos serão concedidos pelo BNDES por meio da Linha de Digitalização, um dos eixos do Programa Cinema Perto de Você, uma iniciativa conjunta do BNDES, Ministério da Cultura, ANCINE e FSA para ampliar o mercado interno de cinema e acelerar a implantação e modernização de salas no Brasil, facilitando o acesso da população às obras audiovisuais.

O objetivo da operação é promover a migração do parque exibidor cinematográfico brasileiro para o padrão digital. A partir de 2015, os principais estúdios distribuidores deixarão de comercializar cópias em película de 35 mm (rolo de filme), passando a operar apenas em meio digital, o que inviabilizará no longo prazo a operação de salas de cinema não digitalizadas.

O financiamento abrange não apenas grandes grupos, mas também pequenos exibidores. Neste sentido, do valor total de R$ 123,3 milhões, cerca de R$ 2,7 milhões são recursos não-reembolsáveis que contribuem para diferenciar os custos da linha para exibidores até 4 salas, facilitando o acesso à digitalização aos grupos e salas de menor porte.

Além da redução dos custos operacionais, o projeto permitirá a geração de receita adicional para os exibidores, pela possibilidade de implantação de novos modelos de negócios, como a exibição de shows, espetáculos, eventos esportivos e corporativos ao vivo, reduzindo a ociosidade das salas e aumentando suas taxas de ocupação. A operação prevê também a capacitação de projecionistas na nova tecnologia.

Segundo estimativa da ANCINE, até outubro de 2014, o parque exibidor brasileiro apresentava um total de 2.800 salas, das quais cerca de 60% já estão digitalizadas. A ANCINE estima que até o fim do ano a digitalização alcance 80% do parque e que o processo seja concluído nos primeiros meses de 2015.

Modelo de negócio – A Quanta DGT atuará na operação como agente integrador, responsabilizando-se pela aquisição à vista e instalação dos equipamentos. A empresa também fará a locação dos projetores digitais para os exibidores e gerenciará o fluxo financeiro de pagamentos de distribuidores e exibidores.

Os recursos do FSA serão garantidos por meio do fluxo futuro de pagamento por cópia virtual pelos distribuidores (“virtual print fee”) e aluguéis dos equipamentos.

Para isso, a Quanta DGT construiu uma parceria estratégica com a Arts Alliance Media (AAM), uma das maiores integradoras com contratos de “virtual print fee” do mundo com atuação em cinema digital.

Além disso, o Regime Especial de Tributação para o Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (RECINE) - pré-requisito para o acesso ao financiamento - fortaleceu a viabilidade econômica e a sustentabilidade do negócio, reduzindo em até 30% os custos de implantação do padrão digital.

Cadeia Produtiva – O BNDES apoia o setor audiovisual com uma série de instrumentos financeiros reembolsáveis e não reembolsáveis, de renda fixa e variável. Tal apoio atinge todos os elos da cadeia produtiva, contemplando desde a produção de filmes até planos de negócios de produtoras, construção e digitalização de salas de cinema e patrocínio a festivais em todo o País.

O Edital de Cinema é a mais antiga ferramenta de apoio do BNDES ao setor audiovisual. Desde que foi lançado, em 1995, já apoiou a produção ou finalização de mais de 400 filmes nacionais, com um valor total de R$ 173 milhões.

O Programa BNDES para Desenvolvimento da Economia da Cultura (BNDES Procult) e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) — do qual o BNDES é agente financeiro — investiram, juntos R$ 338 milhões na reforma, implementação e construção de mais de 300 salas de cinema em todo o Brasil, desde 2007.

O BNDES também já investiu R$ 43 milhões nos Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional, os Funcines. Regulamentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tais fundos de participação foram criados para atrair novos investidores à cadeia produtiva, de modo a capitalizar as empresas e melhorar sua profissionalização e governança.