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Quinta no BNDES

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Mobília Moderna Brasileira 1940/70
De 4 de maio a 11 de junho - 9h às 19h
Responsável: ArtePadilla


Apresentação

O BNDES e a Artepadilla apresentam, Mobília Moderna Brasileira - 1940/70, projeto da pesquisadora Sandra Spritzer.

Não pretendendo ser um estudo definitivo sobre o tema, abordado em publicações anteriores com profundidade e apuro, a exposição apresenta um panorama da produção moveleira desenvolvida no Brasil, em especial no Rio de Janeiro, num período bastante próprio.

Das primeiras peças, de linhas delgadas, criadas pelo "mestre" Joaquim Tenreiro, evoluindo pelas formas robustas de Sergio Rodrigues e as características peculiares de diversos e importantes criadores, o móvel brasileiro fazia eco à arquitetura de Oscar Niemeyer e Lucio Costa. 

Buscava-se a valorização de materiais naturais, como a madeira, a palhinha e o couro, vindo a se afirmar, especialmente pela forma modernista, uma identidade essencialmente brasileira.

Hoje, o resgate dessa produção e a utilização desse mobiliário na decoração contemporânea atestam a qualidade do desenho como clássico e atemporal, se refletindo, ainda, na proposta de reedição de algumas dessas peças em madeira prensada - preocupação ecologicamente correta do nosso tempo.

A exposição Mobília Moderna Brasileira - 1940/70 possibilita ao visitante passear por uma época em que viver com conforto e usufruir o prazer estético se fundiram numa bela produção, da qual, aqui, temos o prazer de apresentar um resumo.



Material, dimensão, equilíbrio técnico e estético, confecção, função, utilidade...

Do primeiro risco e do primeiro esboço até a conclusão de um móvel há um caminho bem definido a ser percorrido. Já finalizado, o produto estabelece uma relação com o espaço que o abriga.

E é da necessidade de adequação aos espaços da arquitetura dos anos 40 e 50 que se inicia a produção do que definimos como Mobiliário Moderno Brasileiro.

Através de uma nova geração de arquitetos, e mais especificamente para um projeto de Oscar Niemeyer, Joaquim Tenreiro, em 1941, executa o primeiro projeto de móveis modernos, alterando definitivamente a linguagem do mobiliário brasileiro.

Em 1942, com a criação da Poltrona Leve, Tenreiro inicia sua linha de produção. Mais tarde, inaugura sua primeira loja, onde lança uma série de móveis fabricados de uma forma bastante artesanal, mas com extrema qualidade de execução, leveza, compreensão exata do uso da madeira e elegância inconfundíveis.

Paralelamente, Lina Bo Bardi, arquiteta italiana radicada em São Paulo, desenha e fabrica móveis que se adaptassem à arquitetura moderna.

Já o cenário dos anos 50 é marcado por diversas experiências inéditas, visando ao aumento da produção industrial e à redução de custos do mobiliário moderno.

Nesse momento, a fábrica de Móveis Z, criada por José Zanine Caldas, desenvolve modelos de linhas bastante simples, feitos com chapas de compensado.

O artista concreto Geraldo de Barros atua como designer na Unilabor, empresa baseada no sistema de organização cooperativa. Estes trabalhadores, então, participam de forma igualitária tanto ao tratar de lucros quanto na tomada das decisões.

Ao mesmo tempo, um grupo de arquitetos ligados por interesses comuns e estimulados pela nova arquitetura, pela modernidade, pelo desenho e pelos aspectos da boa forma e função, inaugura a loja Móveis Branco e Preto.

A construção de Brasília é, também, um grande estímulo para novos arquitetos e designers, promovendo um significativo crescimento na produção do mobiliário. Joaquim Tenreiro, Bernardo Figueiredo e Sergio Rodrigues, entre outros, projetam os móveis das construções públicas da capital.

Sergio Rodrigues, jovem arquiteto, buscando e afirmando uma identidade verdadeiramente brasileira, funda a Oca em 1955, dando início ao que se chamou de móvel com caráter brasileiro. O jacarandá, o couro e a palhinha são amplamente usados na produção de suas obras.

Em 1958, Sergio projeta a Poltrona Mole, premiada em 1961 na bienal de Cantu, Itália. Confortável e robusta, esta passa a ser considerada o símbolo do design nacional. Ao longo dos anos 60, o merecido prestígio de Sergio fez com que suas peças fossem amplamente absorvidas pelo mercado consumidor.

Alguns fabricantes, como Gea, Celina Decorações, Fátima Arquitetura, Lafer e Móveis Cimo, intensificavam suas produções, atentos às tendências do mercado. Outros ainda iniciavam a comercialização de móveis fabricados com materiais sintéticos, como Jorge Zalszupin à frente da L'Atelier.

A verticalização das cidades e a conseqüente diminuição do espaço arquitetônico contribuíram como fatores determinantes para o processo de industrialização do móvel no Brasil. Móveis com perfis mais versáteis, modulares e múltiplos marcam a produção da Mobília Contemporânea, criada pelo arquiteto Michel Arnoult, e seguida por empresas como Hobjeto (de Geraldo de Barros), Mobilínea e Arredamento.

Ao longo da década de 1970, Joaquim Tenreiro e Sergio Rodrigues, figuras centrais na história da produção da mobília moderna brasileira, seguem caminhos opostos. Já tendo abandonado a produção de móveis, Tenreiro se dedica à escultura, enquanto Sergio Rodrigues, apesar de seu desligamento da Oca e de sua forte atuação como arquiteto, continua exercendo suas atividades como designer.

Hoje, as obras de todos estes artistas são inspiração para que novas gerações de designers e arquitetos dêem continuidade à produção do mobiliário brasileiro.

Compreender a realidade de determinados momentos históricos através do design de móveis é possível quando este atinge certa maturidade. O entendimento se dá por completo através da observação, do exercício do olhar.






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