BNDES apóia com R$ 7,2 milhões pesquisas em hemoderivados da COPPETEC
10.03.08
A diretoria do BNDES aprovou financiamento, no âmbito do programa Funtec (Fundo Tecnológico), para a Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos – COPPETEC –, no valor de R$ 7,2 milhões. Os recursos, não-reembolsáveis, são destinados ao projeto “Desenvolvimento de Medicamentos Recombinantes para Uso em Hematologia/Hemoterapia”, uma parceria da empresa Hemobrás com o Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares da COPPE/UFRJ.
O objetivo é desenvolver tecnologias inovadoras para a produção de dois fatores sanguíneos e um estimulador hematopoéticos, obtidos através de engenharia genética, de grande importância para os portadores de hemofilia, câncer e AIDS. Trata-se de tecnologia nacional de alta produtividade para a fabricação de três biofármacos recombinantes: os fatores sanguíneos VIII e IX e o biofármaco conhecido como G-CSF.
No tratamento das hemofilias A e B são utilizados, tradicionalmente, fatores da coagulação sanguínea, obtidos a partir do fracionamento industrial do plasma humano. Os fatores VIII e IX de coagulação sanguínea são proteína do sistema de coagulação utilizada para o tratamento da hemofilia dos tipos A e B, respectivamente. A hemofilia é uma doença genética em que os pacientes não produzem uma destas proteínas. Atualmente, o Brasil importa fator VIII e fator IX, derivados do plasma para atender a necessidade de tratamento diário de 7.000 hemofílicos.
A nova tecnologia a ser desenvolvida na UFRJ poderá permitir que a Hemobrás passe a produzir, com tecnologia nacional, os fatores sanguíneos que são obtidos a partir de células geneticamente modificadas, conhecidos como fatores recombinantes. Esses fatores, além de serem de alta segurança e eficácia, podem ser produzidos na quantidade que for necessária para atender a demanda dos pacientes. Não há, neste caso, limitações de disponibilidade de matéria-prima, como no caso dos fatores produzidos a partir do plasma de doadores de sangue.
O biofármaco G-CSF é utilizado no tratamento de deficiências de glóbulos brancos, após quimioterapias e depois de transplantes de medula óssea. A conseqüência desses tratamentos é uma brutal redução no número de glóbulos brancos dos pacientes, expondo-os a infecções graves e risco de morte decorrente destas infecções. O G-CSF recombinante apresenta, portanto, um grande mercado, no Brasil e no exterior.
Os biofármacos a serem desenvolvidos são estratégicos para a Política Nacional de Saúde. Apenas com a importação dos fatores sanguíneos VIII e IX, o governo brasileiro gasta, anualmente, cerca de R$ 200 milhões.
O desenvolvimento das tecnologias deverá ser feito em três anos e, ao final deste período, a Hemobrás promoverá estudos pré-clínicos e clínicos para comprovar a eficácia e segurança dos produtos. Ao final desta etapa, o objetivo é obter o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e implantar a fábrica para produção dos biofármacos recombinantes.
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