BNDES e Finep assinam acordo para financiar com R$ 1 bi inovação no setor de açúcar e etanol
O BNDES e a Finep assinaram acordo para a execução do Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS). Seu objetivo é fomentar projetos destinados ao processamento da biomassa proveniente da cana-de-açúcar.
O BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) assinaram Acordo de Cooperação Técnica para a execução do Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (PAISS).
O novo programa, resultado de iniciativa conjunta do BNDES e da Finep, contará com R$ 1 bilhão para o período 2011-2014. Seu objetivo é fomentar projetos que visem o desenvolvimento, a produção e a comercialização de novas tecnologias industriais destinadas ao processamento da biomassa proveniente da cana-de-açúcar.
Os projetos derivados dos planos de negócio selecionados terão apoio das instituições, de uma e/ou de outra, com base nas linhas de financiamento, programas e fundos já existentes. Ou seja, os investidores poderão obter financiamento dentro das diversas linhas e programas do BNDES e da Finep, de acordo com as características dos projetos, incluindo participação societária por intermédio da BNDESPAR. O custo para o tomador, portanto, dependerá do modelo do projeto apresentado.
Trata-se de uma iniciativa do governo brasileiro para unir esforços de seus principais órgãos de fomento, a fim de que o País possa alcançar, nas tecnologias mais avançadas, o mesmo protagonismo já desempenhado na produção de biocombustíveis convencionais. O acordo entre as duas instituições, portanto, contribuirá para uma maior capacidade de coordenação no apoio aos investimentos à inovação na indústria processadora de cana-de-açúcar.
O BNDES e a Finep têm agendas próprias de apoio ao desenvolvimento tecnológico do setor. Assim, é de fundamental importância aperfeiçoar esse modelo para permitir que os recursos sejam aplicados de forma coordenada, evitando a duplicidade de esforços e pulverização de recursos.
O Brasil ocupa posição privilegiada no mundo como grande produtor de biocombustíveis, em particular de etanol a partir da cana-de-açúcar, mas a tecnologia industrial atual está próxima de seus limites. O novo desafio diz respeito ao domínio das tecnologias de produção do etanol de segunda geração, ou seja, a partir da biomassa.
Essas novas rotas de conversão, no entanto, são objeto de uma intensa corrida tecnológica internacional, sobretudo por parte dos Estados Unidos e da União Européia, o que pode incorrer em perda da liderança tecnológica brasileira no setor sucroenergético.
As áreas técnicas de BNDES e Finep têm se dedicado a analisar o posicionamento do Brasil no desenvolvimento das novas tecnologias de conversão de biomassa. Um estudo sobre o tema foi publicado no artigo A corrida tecnológica pelos biocombustíveis de segunda geração: uma perspectiva comparada, na edição nº 32 da revista BNDES Setorial.
Em função desse cenário e para atingir os objetivos propostos, o novo programa contará com três linhas temáticas: o Bioetanol de 2ª geração; novos produtos de cana-de-açúcar, incluindo o desenvolvimento a partir da biomassa da cana por meio de processos biotecnológicos; e gaseificação, com ênfase em tecnologias, equipamentos, processos e catalisadores.
O acordo entre BNDES e Finep para a criação do PAISS também visa estimular a obtenção de produtos de maior valor agregado, que podem ser obtidos a partir da biomassa da cana, como, por exemplo, os combustíveis de maior conteúdo energético (diesel, gasolina, querosene de aviação) ou mesmo intermediários químicos com aplicações industriais diversas.
O Brasil, ao contrário dos países do hemisfério norte, tem vantagens competitivas em função da maior disponibilidade de biomassa a baixo custo. Tal fato, aliado a um apoio mais eficiente para o desenvolvimento das novas técnicas de conversão, poderá levar o país a ser o pioneiro na produção de etanol celulósico e outros biocombustíveis avançados.
Poderão participar do PAISS empresas cujo objetivo social compreenda a realização de atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação relacionadas às tecnologias incluídas no Plano. As propostas devem estar vinculadas aos planos de negócios das empresas, prevendo a efetiva introdução das tecnologias e dos respectivos produtos no mercado.
A carteira conjunta de projetos de inovação na cadeia de produção de etanol e derivados do BNDES e da Finep soma R$ 413,5 milhões, dos quais o BNDES é responsável por R$ 169,1 milhões, por meio de financiamento, e a Finep por R$ 244,4 milhões. Desse modo, a aprovação do PAISS torna disponível para o setor mais que o dobro de recursos utilizados até o momento. A iniciativa aproxima o Brasil do nível de investimento em inovação dos Estados Unidos e da União Européia.
O PAISS não envolve a transferência de recursos entre o BNDES e a Finep. O processo seletivo dos planos de negócio e a descrição completa do PAISS estarão disponíveis nos sites das duas instituições (www.bndes.gov.br e www.finep.gov.br).
Acesse aqui a página do PAISS, no site do BNDES.