Número 1, novembro de 2024.

PRECISAMOS FALAR SOBRE BIODIVERSIDADE

Entre 21 de outubro e 1o de novembro, ocorreu a 16a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP 16), em Cali, Colômbia.


Evento bienal – a última havia sido em 2022 , a COP Biodiversidade envolve 196 países, sociedade civil organizada, academia, setor privado e outros atores para discutir a conservação da biodiversidade.

Na ocasião, o BNDES lançou seu compromisso e estratégia de atuação em favor da natureza e quer continuar ampliando essa discussão. Nesta série de newsletters, apresentamos desde os conceitos atrelados a biodiversidade até as oportunidades e desafios que o tema traz para o Brasil e, mais importante, a necessidade e relevância de agirmos juntos e rápido.

Começamos este número com o que é biodiversidade, sua relevância para nosso bem-estar e a diversidade biológica brasileira. Vamos?


Dúvidas ou sugestões? Escreva para gedit@bndes.gov.br


O que é biodiversidade?


Biodiversidade – ou diversidade biológica – se refere à variedade de vida no planeta, em todas suas formas. Ela engloba dos genes e organismos mais simples aos ecossistemas mais complexos.  

Nós dependemos da biodiversidade não só para nossa saúde e bem-estar – água, alimentos, medicamentos – mas também para a estabilidade do clima e, ainda, para o crescimento econômico. Nossa sociedade, nossas economias e nossos sistemas financeiros estão integrados a essa diversidade biológica, de modo que sua prosperidade e resiliência dependem da saúde e da resiliência da própria natureza.

A biodiversidade é resultado de bilhões de anos de evolução e da influência humana. A riqueza da biodiversidade terrestre é imensa e ainda há uma série de espécies da fauna e da flora que sequer foi descoberta.

De acordo com o Fórum Economico Mundial, a atividade humana já degradou um terço do solo global, destruiu mais de 85% das áreas úmidas e 50% dos recifes de corais do planeta. A maior parte da contribuição da natureza para a vida humana não é 100% substituível e, em parte, é realmente insubstituível.

Um dos maiores riscos à humanidade dessa década, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial de 2020, é a perda da biodiversidade e o colapso dos ecossistemas. Precisamos fazer mais.


Biodiversidade brasileira


O Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, são mais de 116 mil espécies animais e mais de 46 mil espécies vegetais conhecidas, espalhadas por seis biomas terrestres e três grandes ecossistemas marinhos. Esses biomas abrigam mais de 20% do total de espécies do mundo, encontradas em terra e água.


*Amazônia*  Maior floresta tropical úmida do mundo, maior bioma brasileiro, abriga mais de 2.500 espécies de árvores e 30 mil de plantas. *Pantanal* Maior planície inundável do mundo, considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta. Com uma área aproximada de 210 mil km2, o ecossistema mantém boa parte de sua cobertura vegetal nativa, com cerca de 3,5 mil espécies de plantas. *Cerrado* Savanas e bosques que abrigam nascentes dos principais rios nacionais. Detém 5% da biodiversidade do planeta e é reconhecida como a savana mais rica do mundo. *Caatinga*  Florestas semiáridas, bioma só encontrado no Brasil. Ocupa dez estados brasileiros e abriga cerca de 27 de milhões de pessoas. *Mata Atlântica* Floresta tropical pluvial, apenas 10% restante. Cobre cerca de 15% do território e é reconhecido como Patrimônio Nacional. *Pampas* Campos uniformes com elevado potencial hídrico que contempla paisagens naturais variadas, de serras a planícies, de morros rupestres a coxilhas. O ecossistema conta com 3 mil espécies de plantas e uma fauna com mais de 600 espécies. *Sistema Costeiro-Marinho* Incluído pelo IBGE como um bioma em 2019, engloba quase 195 mil km² de manguezais, restingas, praias arenosas, estuários, costões rochosos, marismas, lagunas, banhados e áreas alagadas que se sobrepõem a outros biomas – área maior que a do Pampa inteiro.

Fonte: MMA e National Geographic


Muitas das espécies brasileiras são nativas e diversas destas têm importância econômica mundial, como o abacaxi, o amendoim, a castanha do Pará, a mandioca, o caju e a carnaúba.


O Brasil abriga ainda uma rica sociobiodiversidade. De acordo com o MMA, são mais de 200 povos indígenas e diversas comunidades, como quilombolas, ribeirinhos, caiçaras e seringueiros, entre outros com conhecimento tradicional fundamental para a conservação da biodiversidade e cujas culturas têm como elemento essencial o convívio harmônico com a natureza.


A biodiversidade do Brasil não se resume à Amazônia.


Dois dos seis biomas terrestres brasileiros abrigam ecossistemas considerados hotspots de biodiversidade: Mata Atlântica e Cerrado. O Brasil tem ainda o maior trecho contínuo de manguezais do mundo – 1,3 milhão de hectares – e os maiores ambientes de recife do Atlântico Sul Ocidental, distribuídos ao longo de 3 mil km da costa do nordeste do país.


Por que precisamos falar sobre biodiversidade?


A natureza está em crise. Segundo relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), os fatores que afetam direta ou indiretamente essa degradação se aceleraram nos últimos 50 anos: mudanças no uso da terra e dos oceanos, exploração direta de organismos, mudanças climáticas, poluição e invasão de espécies exóticas. Esses fatores são causados por outros que, por sua vez, estão relacionados ao comportamento humano como modelos de consumo e produção, dinâmicas e tendências populacionais, comércio e inovações tecnológicas.


Além de riscos diretos para a saúde e sobrevivência humana, a Taskforce for Nature-related Financial Disclosure (TNFD) aponta que essa situação cria riscos para as empresas, para os fornecedores de capital, para os sistemas financeiros e para as economias – riscos que vêm aumentando em gravidade e frequência.


A relevância da biodiversidade na economia pode ser percebida no peso da disponibilidade de água para a maioria das atividades, da qualidade do ar para processos não só produtivos, da existência de espécies vivas para a bioeconomia, de onde se extrai a maioria dos insumos, entre outras inúmeras evidências.


No entanto, como já apontado, é possível conservar, restaurar e utilizar a natureza de forma sustentável e, ao mesmo tempo, atingir outras metas da sociedade. Para tal, precisamos de esforços urgentes e orquestrados na direção de uma mudança transformadora.


No nosso próximo número...

Vamos falar sobre os principais conceitos relacionados a biodiversidade. Até lá!


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