1 de novembro de 2004
BNDES apoiará com R$ 89,7 milhões transporte ferroviário de soja no Sul
· Investimento aumentará a capacidade de escoamento da produção de soja por ferrovias na Região Sul
· Modelo de parceria proposto pelo BNDES trará impactos no setor agrícola, na indústria ferroviária e na balança comercial
O BNDES aprovou financiamento no valor de R$ 89,7 milhões para a MRC Serviços Ferroviários adquirir 550 vagões do tipo graneleiro Hooper (fechado) para transporte de grãos e 100 vagões do tipo tanque TCD para transporte de óleo comestível entre os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O projeto, com investimento total de R$ 112,1 milhões, aumentará a capacidade de transporte de soja por ferrovias na região, reduzindo gargalos para o escoamento da produção a ser exportada.
A aquisição dos vagões, produzidos no país pela Randon e pela Amsted-Maxion, deve trazer impactos no setor agrícola, na indústria ferroviária e na balança comercial. O apoio do BNDES corresponde a 80% do valor total do investimento e os recursos serão repassados pelo Itaú BBA.
A operação se dará conforme modelo de financiamento proposto pelo BNDES para a compra de vagões pelos clientes usuários de transporte ferroviário, numa espécie de parceria entre empresas e operadores. Os vagões comprados pela MRC serão alugados à Bunge Brasil S.A (agroempresa exportadora de soja) que, por sua vez, assinará com a América Latina Logística (ALL), concessionária de transporte ferroviário na Região, dois contratos distintos: um de sublocação dos vagões e outro de transporte de grãos (frete).
Este modelo de parceria alavanca investimentos e reparte riscos entre as empresas participantes do sistema ferroviário, contribuindo para ampliar a capacidade de escoamento da produção de soja para exportação; reativar e expandir a indústria ferroviária no país; reduzir os custos logísticos e a concentração no modal rodoviário; e melhorar a infra-estrutura ferroviária.
Ferrovias – O sistema ferroviário se destaca pela capacidade de transportar grandes volumes com elevada eficiência por médias e grandes distâncias. As cargas típicas são produtos siderúrgicos, grãos, minério de ferro, cimento, cal, adubos, fertilizantes, derivados de petróleo, calcário, carvão mineral e contêineres. A maior parte das cargas no Brasil é transportada com a convergência das malhas do interior para os portos e voltadas ao comércio exterior.
Segundo a Associação Nacional de Transportes Ferroviários (ANTF), de 1996 a 2002, o volume de cargas em ferrovias cresceu 43% e a participação na matriz nacional de transporte subiu de 19% para 21%. Na época da safra, faltam vagões para atender toda a demanda, elevando os preços do frete e dificultando a diversificação de modal (rodoviário-ferroviário) para o transporte de granéis.
Soja – O Brasil exportou na safra 2002 / 2003 aproximadamente 16 milhões de toneladas de soja, dos quais 5,1 milhões (32%) pelo Porto de Paranaguá (PR) e 1,8 milhão (11%) pelo Porto de Rio Grande (RS). A quantidade de soja transportada pela Região Sul representa cerca de 50% do total de grãos transportados no País, sendo a ALL a principal empresa de logística da Região, pois detém a concessão de praticamente toda a malha ferroviária local. Cerca de 40% do total de grãos com destino aos portos da Região Sul são transportados pela ALL por via férrea. A maior parte das exportações de óleo de soja tem como destino a Ásia (principalmente China e Índia) e o Oriente Médio, e as de farelo de soja, a Europa.