Mantega diz em encontro com empresários que o Brasil poderá crescer 5% em 2006
Como acelerar o crescimento da economia brasileira. Este foi o tema do debate promovido pelo presidente do BNDES, Guido Mantega, e diretores do Banco, que se reuniram, nesta quarta-feira, dia 21, na sede da instituição, no Rio, com os presidentes das Federações das Indústrias dos Estados do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira; de São Paulo, Paulo Skaf; de Minas Gerais, Robson Braga de Andrade; e do Rio Grande do Sul, Paulo Gilberto Fernandes Tigre.
Uma das posições de consenso é de que a economia brasileira tem condições e potencial para acelerar sua expansão e o crescimento entre 3,5% e 4%, projetado para este ano, embora sustentável, deve ser aceito e entendido como uma espécie de piso, de patamar mínimo. O desafio agora é como crescer em níveis mais acelerados�, disse Mantega, destacando a nova agenda de discussões da sociedade. Ou seja, ainda que sustentável, crescimento de 3,5% ou 4% não satisfaz. É preciso ir além. O presidente do BNDES acredita que o país poderá crescer 5% em 2006.
O diretor da área de planejamento do BNDES, Antonio Barros de Castro, está convencido de que o país está vivenciando um novo ciclo de crescimento. A indústria vem crescendo há 24 meses constantemente, apesar da severa política fiscal e monetária�, constata ele, defendendo flexibilização.
Segundo Mantega, o desafio do crescimento a taxas mais vigorosas passa por um conjunto de iniciativas. Entre elas, a redução das taxas de juros; ampliação de crédito a custos mais baixos; maior acesso de financiamentos a micro, pequenas e médias empresas; investimentos em infra-estrutura e em tecnologia; eliminação da burocracia. Reconheceu que medidas nesse sentido vêm sendo adotadas pelo governo, como por exemplo, a estruturação pelo BNDES de um fundo de aval para fornecer garantia de financiamentos a empresas de menor porte. A formatação do novo fundo de aval deverá estar concluída em um mês.
A elevada taxa dos juros básicos (Selic) foi um dos principais alvos das críticas dos empresários, apontada como o maior obstáculo para o crescimento. �É muito difícil crescer com juros reais em torno de 14% ao ano, dez vezes mais altos que a média internacional, comparou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, observando ainda que a oferta de crédito no Brasil é insuficiente, abaixo de 30% do PIB. O presidente da Fiemg acredita que a economia tem condições de crescer a taxas de 6% ao ano, desde que os juros caiam e as pequenas e médias empresas, responsáveis por 60% dos empregos no país, segundo ele, tenham maior acesso ao crédito. �Os custos dos financiamentos às empresas de pequeno porte são extremamente elevados�, ressaltou Robson Braga de Andrade. A queda da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo, atualmente em 9,75% ao ano) também foi apontada pelos empresários como premissa para o crescimento dos investimentos no país. Para Mantega, há espaço para a redução da TJLP, calculada com base na inflação futura e no risco país. "Tanto a inflação como o risco Brasil estão em baixa, dando condição para a queda da TJLP", destacou.
A ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN), com a inclusão dos ministros do Trabalho e do Desenvolvimento, também foi reivindicada pelos empresários. O CMN é composto hoje por apenas três membros - Ministérios da Fazenda e do Planejamento e Banco Central.
Mantega disse que os desembolsos de financiamento do BNDES deverão atingir R$ 50 bilhões em 2005, valor 25% superior aos R$ 40 bilhões de 2004. �Uma expansão nominal de 50% em um ano�, ressaltou o vice-presidente do BNDES, Demian Fiocca. �Isso equivale a mais de US$ 25 bilhões em financiamentos�, completou Mantega.