Desembolsos do BNDES atingem recorde de R$ 47 bilhões em 2005
. Em três anos do governo Lula, o BNDES desembolsou R$ 122 bilhões
. Setor de bens de capital recebeu R$ 66 bilhões para investimentos
Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 47 bilhões em 2005, volume de recursos recorde destinado ao financiamento de projetos para o desenvolvimento econômico e social do País, contribuindo para a geração de renda e emprego. O valor liberado este ano é 17,5% superior aos R$ 40 bilhões de 2004. E só não foi maior devido à retração no setor da agropecuária, que sofreu problemas com a seca e com a valorização cambial. Na indústria, porém, as liberações de financiamentos do BNDES alcançaram R$ 23,4 bilhões, com crescimento de 48% na comparação com o ano anterior (R$ 15,8 bilhões) . As liberações nas linhas da Finame (excluindo o Agrícola) destinadas ao financiamento de máquinas e equipamentos de fabricação nacional, aumentaram 45% em relação a 2004, totalizando R$ 10 bilhões.
Nos primeiros três anos do governo Lula, o BNDES desembolsou R$ 122 bilhões , dos quais R$ 66 bilhões (54% do total) foram para o setor de bens de capital, importante termômetro do ritmo de investimentos na produção brasileira.
Neste período, o BNDES recuperou a função de banco de desenvolvimento, com políticas operacionais voltadas para o crescimento com inclusão social. Ao mesmo tempo, o Banco consolidou sua posição de importante financiador das exportações brasileiras. Os desembolsos do BNDES-Exim somaram US$ 5,86 bilhões (equivalentes a R$ 13,93 bilhões) em 2005, níveis sem precedentes na história da carteira do Banco, 52% maiores que os US$ 3,86 bilhões de 2004. Com isso, o Banco ajudou a construir o saldo da balança comercial e, conseqüentemente, a reduzir a vulnerabilidade externa do País.
Para o setor de infra-estrutura, prioridade de governo, o BNDES liberou este ano R$ 17 bilhões, com crescimento de 12,7% na comparação com o ano anterior. Na área de insumos básicos, onde estão grandes projetos da indústria de base, como siderurgia, petroquímica e papel de celulose, os desembolsos somaram R$ 2,9 bilhões, com incremento de 72% sobre os R$ 1,7 bilhão de 2004.
Três principais diretrizes marcaram a atuação do BNDES nos últimos três anos, especialmente em 2005: aumento na agilidade, com melhorias nas rotinas e procedimentos de gestão; redução no custo dos empréstimos; e democratização do acesso ao crédito.
Maior agilidade - Entre as medidas adotadas para o aumento de agilidade e simplificação de procedimentos do BNDES destacam-se o aprimoramento das metodologias de classificação de risco e o estabelecimento da modalidade Limite de Crédito para clientes tradicionais do Banco.
Em 2005, houve um aumento de 76%, em comparação com 2004, na quantidade de classificações de risco realizadas. Isso equivale a cerca de 522 classificações de risco efetuadas.
No processo de agilização, foram criadas novas áreas de atuação do Banco: Insumos Básicos; Mercado de Capitais, Departamento de Meio Ambiente , Departamento de Inovação; e Comitê de Política Regional. O Departamento de Inovação, ligado à Área de Mercado de Capitais, dedica-se a operações de micro e pequenas empresas inovadoras e à criação de fundos de investimentos voltados à inovação.
Acesso ao crédito - Ao longo do ano, foi implementada a prática de acompanhamento de indicadores de desempenho das áreas operacionais do Banco, permitindo avaliações sobre o prazo médio de tramitação das operações.
Os resultados alcançados são significativos: Nas operações diretas das áreas da indústria, infra-estrutura e insumos básicos - onde estão grandes projetos de investimentos -, o prazo médio entre a apresentação da consulta e a contratação das operações passou de 15,8 meses em janeiro de 2003 para 13,5 meses em novembro de 2005, com queda de 15%. Nas operações Finame, responsáveis por cerca de 30% dos desembolsos do BNDES, os resultados foram ainda mais expressivos: a redução no prazo médio de aprovação foi de 62%, caindo de 12 dias, em janeiro de 2003, para apenas quatro dias em novembro de 2005.
Menores custos - A queda nos prazos de tramitação veio acompanhada por redução nos custos dos financiamentos do BNDES, promovida por mudanças na política operacional do Banco. A mais recente mudança foi anunciada em 22 de dezembro último, com a redução de um ponto percentual, em média, nos financiamentos a setores prioritários. O barateamento dos spreads do BNDES visa a contribuir para a elevação da taxa de investimento nacional.
A política de spreads e de prazos de financiamento implementada pelo BNDES é focada em prioridades, entre elas:
- criação de programas específicos de financiamento do setor de geração e de transmissão de energia elétrica, com menor remuneração do BNDES, taxas de juros indexadas ao IPCA e prazo de amortização de até 12 anos ( transmissão) e até 14 anos (geração);
- alterações no programa Proinfa (Programa de Apoio Financeiro a Investimentos em Fontes Alternativas), com elevação do nível de participação do Banco para até 80% e extensão do prazo de amortização para até 12 anos. O Proinfa tem hoje uma carteira de operações aprovadas de R$ 2,1 bilhões, equivalente a investimentos de R$ 3 bilhões.
- criação de programa específico para o financiamento a investimentos em ferrovias do Norte e Nordeste;
- redução de um ponto percentual nos spreads do Modermaq, programa para modernização da índústria, com desembolsos de R$ 1,7 bilhão e com mais de cinco mil operações aprovadas;
- redução do custo nas linhas Pré-embarque do BNDES-Exim e aumento da parcela de financiamento a serviços associados a exportações;
- redução dos custos de financiamento à indústria de construção naval e de navegação;
- participação do BNDES no Prominp - Programa de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás Natural, visando aumentos do conteúdo de fornecimento nacional.
Os financiamentos à pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação (PD&I) ganharam destaque na política operacional do BNDES, com taxas de juros e spreads mais favorecidos, de forma a melhor cumprir as diretrizes da política industrial e de comércio exterior do governo. O novo programa Prosoft, lançado em março de 2004 no âmbito da política industrial, conta hoje com operações contratadas de R$ 274 milhões.
Micro, pequenas e médias empresas - No processo de democratização do crédito, o BNDES ampliou medidas de apoio a micro, pequenas e médias empresas (MPME). Entre elas, o Banco passou a financiar capital de giro associado à aquisição isolada de máquinas e equipamentos nacionais em operações realizadas pelas MPMEs. Além disso, aumentou a participação do capital de giro vinculado a projetos de investimentos destas empresas.
Criou também programas específicos de maior acesso ao crédito, como o novo Programa de Microcrédito; o Proinco (Programa de Investimentos Coletivos Produtivos) para apoiar investimentos que beneficiem trabalhadores, produtores e pequenas empresas nacionais com atuação coletiva; e o Programa de Participação de Fundos de Capital de Risco para a capitalização de pequenas e médias empresas.
As empresas de menor porte ganharam maior fôlego de investimento com o Cartão BNDES, que teve limites e prazos ampliados em 2005. As microempresas responderam por 80% dos cartões emitidos e por 68% das transações realizadas.
Principais números do cartão BNDES:
- cartões emitidos - 49,3 mil
- somatório dos limites de crédito concedidos - R$ 1 bilhão
- valor médio das transações (ticket médio) R$ 13,2 mil
- fornecedores credenciados - 1.886
- produtos disponíveis - 23 mil
Mercado de Capitais - Ao lançar em setembro deste ano a segunda oferta pública de cotas do PIBB, o BNDES consolidou o fundo de índice como instrumento eficiente e atraente para o público investidor. Cumpriu, assim, o objetivo de promover o desenvolvimento do mercado de capitais e a popularização de investimentos em ações, trazendo para o negócio o pequeno investidor . A grande demanda elevou a oferta inicial de R$ 1 bilhão para R$ 2,285 bilhões, com 75% do valor alocado no varejo. Com mais de 121 mil pessoas físicas participantes, foi a maior oferta de varejo já realizada no mercado brasileiro e que se seguiu ao sucesso do primeiro lançamento, em julho de 2004.
Grandes Projetos
O ano de 2005 foi marcado também por grandes projetos de investimento aprovados pelo Banco. Entre eles:
- Financiamento à construção da Plataforma P-51, no valor de US$ 402 milhões. O investimento total é de US$ 774 milhões. O BNDES é grande financiador do grupo Petrobras. Entre os financiamentos a projetos de petróleo e gás destacam-se US$ 760 milhões para o desenvolvimento dos campos de Barracuda e Caratinga, na Bacia de Campos, além de outros US$ 378 milhões destinados à construção da plataforma P-52. Esses são projetos fundamentais para o aumento da produção nacional de petróleo.
- empréstimos no valor de R$ 1,6 bilhão para a construção do gasoduto Cabiúnas (RJ) - Vitória (ES) , integrante do Projeto Gasene , e para a instalação do gasoduto Urucu-Coari-Manaus, na Amazônia. São importantes projetos para a ampliação do mercado brasileiro de gás natural.
- financiamento de R$ 465 milhões para a Ventos do Sul Energia S/A, para a instalação de três parques eólicos , no Rio Grande do Sul. É o maior projeto de energia eólica do Brasil e o segundo do mundo.
- empréstimo de R$ 900 milhões ao grupo Gerdau para modernização e atualização tecnológica de 12 usinas do grupo no País. É o primeiro projeto da nova modalidade de Limite de Crédito.
- financiamento de R$ 2,35 bilhões à expansão da produção de celulose da Suzano Bahia Sul.
- financiamento de R$ 150 milhões para ampliação do Porto de Pecém, no Ceará.
- financiamento de R$ 265 milhões para recuperação e aumento da capacidade de transporte da Ferronorte (Ferrovias Norte Brasil), que liga AS regiões produtoras do Mato Grosso ao porto de Santos (SP).
- liberação de R$ 311 milhões para expansão da linha 2 do Metrô de São Paulo.
- liberação de R$ 70 milhões para o Metrô do Rio de Janeiro.